Muitas obras no universo dos jogos eletrônicos permitem ao jogador o ato de escalar. Títulos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild ou Death Stranding tratam a ascensão com seriedade, exigindo que se considere o clima, a temperatura e o vigor físico diante do impulso humano de alcançar o ápice. Outros, como o meditativo Jusant ou o técnico Cairn, focam na especificidade de cada movimento e no manejo de equipamentos, tornando a escalada um fim em si mesma.
No entanto, Insurmountable, desenvolvido pelo estúdio berlinense ByteRockers’ Games e lançado em 2021, trilha um caminho distinto. Não se trata de um jogo técnico, mas sim tático. Ele transpõe a exploração de montanhas para a estratégia em turnos, priorizando o planejamento de rotas e a gestão de recursos. Ao mesmo tempo, a obra se apresenta como uma jornada espiritual de escolhas pessoais, repleta de eventos inesperados e descobertas fortuitas.

A Gestão da Resiliência
A essência de Insurmountable pode ser compreendida pela existência de um medidor de sanidade, um dos cinco pilares fundamentais para a sobrevivência do alpinista — acompanhado por saúde, energia, temperatura corporal e oxigênio.
Diferente de títulos de horror, aqui a sanidade reflete o foco na resistência mental. O isolamento prolongado em condições inóspitas consome a mente, mas a montanha também oferece cura: um encontro casual, um gesto de solidariedade ou uma vista deslumbrante podem restaurar o espírito do explorador.
O Tempo como Recurso
Mais do que outros simuladores, esta obra captura a natureza da exploração solitária e extensiva. No sistema de turnos de Insurmountable:
- A Temporalidade: Um único movimento pode representar horas; uma expedição inteira, semanas.
- O Equilíbrio: Cada decisão — como vasculhar um acampamento abandonado em busca de provisões ou oxigênio — exige pesar o tempo despendido contra o benefício obtido.
- A Navegação: O terreno, composto por hexágonos que remetem a formações geológicas naturais, exige uma leitura atenta do ambiente.
Uma Experiência de Conforto e Reflexão
Embora utilize elementos de roguelite, como a morte permanente e montanhas geradas processualmente, a experiência de jogo é surpreendentemente tranquila. Por ser um título de estratégia em turnos, ele convida ao pensamento ponderado, permitindo que o jogador desfrute da jornada sem pressa.
É o que se pode chamar de um jogo para “momentos de repouso”: ideal para noites frias, onde se pode observar, do conforto do lar, o progresso cauteloso de um explorador através de vastidões gélidas e solitárias.
Fonte: https://www.polygon.com/insurmountable-mountaineering-roguelike/

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